A AMERICA ESPANHOLA

     Os movimentos de independência da America Espanhola resultaram na fragmentação dos antigos vice-reinados e na formação de diversas repúblicas. Em todos esses países existiam dois grandes projetos: O dos conservadores e dos liberais, ambos tinham um objetivo em comum: manter as hierarquias sociais, ou seja, conservar o poder político da elite sobre os camponeses e trabalhadores.

      Os conservadores defendiam a Igreja e a força do exército, além da obrigatoriedade do ensino religioso, considerado essencial na formação de cidadãos. Já os liberais eram influenciados pelo iluminismo e pelos ideais da Revolução Francesa, eles queriam separar o Estado da Igreja e adotar o ensino laico (de todas as religiões), defendiam o regime republicano federalista e descentralizado.

     MÉXICO: No México, a Igreja exercia grande poder, juntamente ao exército e aos grandes proprietários rurais. O clero integrava o grupo conservador, defendendo uma monarquia, capaz de manter a ordem e o controle da população. Em oposição , os liberais defendiam um estado republicano e sem interferência da Igreja.

     Após a independência, organizou-se um Congresso Constituinte, que estabeleceu uma monarquia. O governo do imperador Augustin durou dez meses, tendo sido deposto. A república foi proclamada e a nova constituição foi inspirada no federalismo norte- americano. Em 1846 travou-se uma guerra do México contra os Estados Unidos, por território, onde os EUA saiu vitorioso e o México acabou perdendo o Texas,  Alta Califórnia e outros estados independentes, deixando evidente a fragilidade política do país.

     Os conservadores permaneceram no poder até 1854, os liberais chegaram a liderança, fazendo mudanças na estrutura do país, tais como: aboliram os direitos dos eclesiásticos e militares de cobrarem impostos pelo uso da terra, repartiram e submeteram as terras comuns dos aldeamentos indígenas, ao direito comum.  Esse período ficou conhecido como reforma.

     A oposição dos conservadores levou o país a uma guerra civil. Em 1859, os bens da Igreja foram nacionalizados, e as ordens religiosas extintas. A reação conservadora chegou a restabelecer a Monarquia em 1864, com a ajuda de Napoleão III.

     A corrente liberal, contando com o apoio popular derrotou os conservadores. Consolidava-se um Estado republicano e federativo, com a Igreja perdendo seu poder. A reforma agrária liberal foi um fracasso, camponeses e indígenas não conseguiam comprar as terras, que, assim foram parar nas mãos dos grandes proprietários. Com isso, muitos tiveram de vender sua força de trabalho aos grandes proprietários formando o proletariado rural.

O Estado estava consolidado no México. As reformas liberais foram aprofundadas por Porfirio Diaz, que exerceu a presidência por via eleitoral de 1876 até 1911. Nessa época foi implantada no México uma extensa malha ferroviária, com tecnologia e empréstimos britânicos. O país entrava na era industrial.

     COLOMBIA: A Gran Colombia tornou-se independente em 1819 sobre liderança de Bolívar. Ele queria fazer do país o berço de um estado unificado de língua espanhola. Porém,  a Gran Colombia se fragmentou, e o Equador e a Venezuela se tornaram independentes. A instabilidade política se mostrou presente por meio de rebeliões locais, guerras civis e conflitos contra o Equador, por problemas de fronteira.

     As terras comunais indígenas foram extintas, não houve resistência como no México. Havia terras livres para o assentamento da população rural, o que trazia dificuldades para os proprietários em conseguir mão de obra. Para garantir o trabalho nas fazendas, os proprietários endividaram os camponeses, manipulando as contas mantinham-os em dividas permanentes, impedindo-os de deixar as terras.

     Em 1840 as divergências políticas resultaram na criação de dois partidos: O conservador e o liberal. Esse era formado por grupos urbanos, ligados ao comércio e a produção artesanal, propunham a abolição da escravidão, a liberdade de imprensa, fim dos privilégios da Igreja Católica, diminuição do poder executivo e abolição do monopólio. Além de retirar da igreja o monopólio de ensino e abolir os dízimos eclesiásticos, tornar propriedade do estado as terras da Igreja. Já o partido conservador era composto pelos altos burocratas, grandes proprietários rurais escravistas, membros do exercito e da Igreja.

     Em 1849 os liberais alcançaram o poder com a eleição de José Hilário Lopez. Em seu governo os liberais diversificaram a economia e as exportações, incentivando a expansão econômica, aboliram a escravidão, suprimiram os entraves do comercio do tabaco e dos demais impostos de importação, extinguiram o dizimo, expulsaram os jesuítas, o ensino religioso deixou de ser obrigatório, separaram a Igreja do Estado, instituíram o casamento civil e a legalidade do divorcio.

     Em 1854 ocorreu uma tentativa de golpe militar por grupos contrários a revolta. Em 1870 o governo liberal perdeu força. Fortalecidos, os conservadores elegeram Rafael Nuñes restituindo a Igreja Católica suas propriedades e o direito da educação.

     ARGENTINA: O vice- reinado do Rio da Prata era composto pela atual Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai. Na Argentina, a constituição do Estado foi lenta. Depois da independência existiam três grandes áreas com interesses diferente, são elas:

•          Província de Buenos Aires: Pecuarista, vinculada a cidade de mesmo nome, capiral federal e o principal porto exportador de toda a região.

•          Província sdo interior: Pecuaristas, situadas as margens do rio Paraná, cujo os governantes pretendiam conservar o caminho fluvial.

•          Córdoba, La Rijota e Tucamán: Localizados no interior do país, era a área dedicada a produção de alimentos.

    O grande conflito ocorreu entre Buenos Aires e as províncias do interior. Os comerciantes, ligados ao comercio externo de Buenos Aires, apostando num governo centralizado, desejavam estender seu domínio sobre as demais províncias. Defendiam também o livre- comercio e a aproximação com a Grã- Betanha.

     Fazendeiros e pecuaristas do interior se recusavam a seguir tais ideias, não apoiavam o unitarismo, defendiam um regime federativo, capaz de assegurar sua autonomia política. As rivalidades duraram décadas. De um lado a Cofederação Argentina, com ampla autonomia, do outro Buenos Aires. Juan Manuel de Rosas, governador de Buenos Aires defendeu o federalismo e reforçou o poder da cidade, preparando-se para exercer hegemonia política sobre todo país. Combateu os índios do Pampa, numa autentica campanha de extermínio. Rosas pretendia fazer da Argentina a principal potência da região da platina. Declarou guerra ao Brasil em 1851 na qual foi derrotada.

     Uma nova constituição foi criada adotando o modelo federativo de governo. Apenas Bueno Aires de manteve administradamente independente. A Argentina só foi unificada em 1862.

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