A Europa na era dos nacionalismos

A revolução francesa, ao destruir o antigo regime, foi a grande catalisadora das mudanças na Europa. Os exércitos revolucionários levavam consigo não somente o lema de “liberdade, igualdade e fraternidade” mas as idéias do liberalismo, auto governo e nacionalismo que seriam os temas centrais da história européia no século XIX. Foi principalmente a opressão francesa de Napoleão que provocou reações nacionalistas na Espanha, na Rússia, no Tirol e, por último (depois de 1807), na Alemanha. Ela foi uma das causas do nacionalismo do final do século XIX. Apesar de tudo, não se deve exagerar a força do nacionalismo na primeira metade do século XIX. Até 1866, a maioria dos alemães e italianos tinham mais interesse pelos seus governantes e culturas provinciais (bávara, de Hesse, Toscana, Emiliana) do que pelo ideal de unidade nacional.

Definir objetivamente o que é nação e nacionalismo tem sido difícil. Para qualquer definição sempre é possível encontrar uma exceção. Os critérios de língua, etnicidade e território têm se mostrado inúteis. O historiador Eric Hobsbawm trabalha com a seguinte hipótese: qualquer corpo suficientemente grande de pessoas que se consideram membros de uma nação. Para elas, quem estava fora da comunidade nacional era considerado inimigo. Normalmente, os nacionalistas demonstram grande orgulho pela história e pelas tradições de seu povo e muitas vezes julgam que sua nação é a escolhida por Deus ou pela história. Os liberais nacionalistas reivindicavam a unificação da Alemanha e da Itália, o renascimento da Polônia, a libertação da Grécia do domínio turco e a concessão de autonomia aos húngaros pelo Império Austríaco; almejavam, enfim, uma Europa com Estados independentes com base na nacionalidade.

A febre da revolução espalhou-se pelo continente europeu. Os liberais, excluídos da participação na vida política, lutavam por parlamentos, constituições, unidade ou independência para suas nações. Antes de 1848, democratas anteviam o de uma nova Europa, de pessoas livres e nações libertadas. As revoluções na Europa central mostraram que o nacionalismo e o liberalismo não era aliados naturais, que os nacionalistas eram frequentemente indiferentes aos direitos de outros povos. Na Europa em geral, os propósitos liberais e nacionalistas não foram realizados. Mas os ganhos não foram insignificantes: na França, o direito de voto foi estendido a todos os homens; na Áustria e em alguns Estados alemães, os pagamentos em serviços dos camponeses foram abolidos; na Prússia e em outros Estados alemães, foram estabelecidos os parlamentos, dominados ainda por príncipes e aristocratas. Nas décadas seguintes, as reformas liberais se tornariam mais difundidas. Essas reformas seriam introduzidas pacificamente, pois o fracasso das revoluções de 1848 convenceu muitos, inclusive os liberais, de que levantes populares eram caminhos ineficazes para a modificação da sociedade.

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