Brasil colônia – Mercado interno

Muitos historiadores costumam dizer que inexistia mercado interno no Brasil colônia, e que as regiões eram completamente autônomas umas das outras. O que de fato não é verdade, as redes comerciais da colônia eram numerosas e complexas, é uma realidade que nos primeiros séculos essas trocas eram dificultadas devido a pouca população e a ausência de estradas e meios de transporte adequados, mas é inegável que essas existiam.

Estudos recentes revelaram que no século XVIII havia uma rede de abastecimento das regiões que prometia enriquecer quem se ligasse a ela, dessa forma os homens mais ricos daquela época eram comerciantes que residiam no Brasil. Havia as chamadas “Praças mercantis” que eram núcleos comerciais que ficavam situados em estradas e principalmente em cidades portuárias. Após a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro estabeleceu-se um mercado forte e ascendente na região sudeste, ele era integrado pelos chamados “caminhos do ouro”.

Existiam vários tipo de comerciantes mas os mais importantes eram os de “Grosso Trato”, sua característica mais marcante era a multiplicidade de investimento, eles estavam ligados ao comércio negreiro e de alimentos, as atividades agrarias, mas sua maior fonte de renda era no empréstimo de dinheiro e no acúmulo de dividas a serem pagas. Essas dividas passaram a valer então como “produto de comércio” era possível pagar dividas com as dividas de outros. Seus bens construíam-se em mercadorias, objetos valiosos e dívidas. As maiores fortunas eram de negociantes, sendo que a maioria dela ainda seria paga, o que comprovava a sua predominância e a existência de uma esfera de circulação interna.

Os centros urbanos eram o lugar do comércio, abrigando as principais casas mercantis. Como consequência disto era também o local mais rico. Todos os bens eram listados nos inventários, sendo eles até mesmo objetos sem valor algum. Quando a pessoa morria seus objetos de uso pessoal eram repartidos entre os herdeiros ou vendido em praças públicas, quando isso acontecia os pequenos comerciantes eram os principais compradores, que os revendiam mais além. 

A colônia não estava dependente da metrópole portuguesa nem de sua maior aliada. O mercado se desenvolvia cada vez mais, e o principal: independente, tudo era produzido e consumido dentro do país. O momento se apresentava favorável a independência, e foi dentro de todo esse contexto que o Brasil se tornou independente de Portugal, sem ter, com isso, grandes transtornos. 

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